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Os benefícios do tratamento Osteopático para os atletas e praticantes de montanhismo

O principal ponto de convergência entre a Osteopatia e o Montanhismo é o equilíbrio. Estar equilibrado, lhe dará a possibilidade de usufruir do máximo de sua capacidade física, emocional e espiritual, já que o ser humano é único e indivisível. Essa condição é indispensável para suportar o desconforto e as dificuldades aumentadas pelos efeitos no corpo humano quando exposto a tantos metros de altura.

E é bom lembrar que os efeitos desta exposição, sobretudo ao ar rarefeito, podem gerar consequências graves a vida, tais como: 

1. Doença Aguda das montanhas (AMS – Na sigla em inglês)

A falta de Oxigênio no sangue faz com que os vasos sanguíneos do cérebro dilatem, causando dor de cabeça, seguida de náusea, vômitos, perda de apetite, fadiga e dificuldade de dormir.

 A recomendação da Associação de Resgate do Himalaia, no Nepal, é descer a altitudes mais baixas imediatamente se a dor não passar com medicamentos indicados para tal.

2. Edema cerebral ou edema pulmonar

Se a AMS evoluir, pode se tornar um edema cerebral de grande altitude, por vez o pequeno inchaço cerebral da AMS progride para dor de cabeça intensa, confusão, letargia, irritabilidade, convulsões, coma e morte, se não for tratado. Já o edema pulmonar, é um acumulo de líquido nos pulmões que atrapalha a troca de oxigênio que também pode matar.

Os primeiros sintomas neste caso são a falta de ar com exercício, e à medida que mais fluído se acumula nos pulmões, progridem para falta de ar severa mesmo em repouso, tosse persistente aperto no peito, fraqueza severa e, finalmente coma e morte.

3. Congelamento

É mais comum nas extremidades do corpo, dedos das mãos, pés, nariz, orelhas e queixo. 

Primeiramente é possível identificar uma sensação de dor intensa causada pelo esfriamento, após este estágio se a parte permanecer exposta a pele fica branca e depois azulada, a pessoa perde toda sensação de frio, dor ou desconforto na área afetada, articulações ou músculos podem não funcionar mais. Se evoluir para gangrena, tecido morre devido à perda de circulação e consequentemente pela diminuição de oxigênio e nutrientes na área afetada, o que pode resultar em amputação.

Considerando tal exposição, no ponto de vista fisiológico e neurovegetativo é coerente durante a avaliação e o tratamento Osteopático, dar atenção redobrada aos tecidos localizados nas regiões de cabeça, pescoço, mas principalmente do TÓRAX desses atletas e praticantes.

Garantir a boa mobilidade da caixa torácica simplesmente pelo fato de alojar a “bomba cardíaca” (coração) e a “bomba respiratória” (pulmão), por si só, já é um bom motivo, além do que as tensões fasciais encontradas no tórax podem repercutir nas fáscias cervicais e abdominais, responsáveis pela modulação da nossa postura.

De forma que ao liberarmos a fáscia torácica, iremos proporcionar um alivia no pescoço e uma melhor posição da cabeça e membros inferiores em relação ao eixo longitudinal da coluna.

Abaixo algumas técnicas que utilizamos para tal.

Dr. Andrew Taylor Still, o pai da Osteopatia, nos mostrou o poder do todo organizado e vantagem sobre as partes isoladas para a saúde global do ser humano. Uma das leis descritas por ele, a Unidade do Corpo, explicita a importância da interação entre as partes de um mesmo sistema e de sistemas distintos na manutenção da homeostasia (equilíbrio), numa relação interdependente estabelecida.

Interessante é perceber que tal conceito, apesar de descrito no século XIX, ainda não ter sido totalmente incorporado ou aceito por todas as classes de terapeutas atuais. De maneira geral, vários sistemas orgânicos do corpo humano são muito abrangentes, como sistema circulatório, neural, conjuntivo fascial. Tal abrangência, muito mais que simples relações anatômicas, devem proporcionar, sobretudo, a comunicação entre todas estruturas do corpo.

Nessa interação os sistemas se intercomunicam por meios diversos, tais como as vias neurais, hormonais ou químicas e mecânicas, visando prover um corpo minimamente equilibrado.

(Souza, 2013)

Portanto é coerente pensar que, a análise principal do tórax, costelas e coluna dorsal referem-se à capacidade de respirar bem, com o máximo de amplitude inspiratória e expiratória, de modo a otimizar a circulação sistêmica, levando oxigênio e nutrientes para todas as partes do corpo, permitindo esta performance em diferentes posições do corpo humano e em diferentes situações da performance cardiorrespiratória (execução de exercícios com sobrecarga e esforço).

Na prática, além dos benefícios em sua performance cardiovascular, o praticante de montanhismo poderá experimentar uma melhora de sua consciência corporal, do gesto esportivo inerente a atividade, melhora no equilíbrio, diminuição das sobrecargas musculares e articulares. Favorecendo assim a prevenção das lesões físicas, fisiológicas e emocionais.

 

Por | Thiago Lacerda e Carlos Santalena