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Não espere, vá para a montanha!

O contato com a natureza é capaz de causar muitas transformações em uma pessoa. Existem pesquisas que comprovam que essa conexão é capaz de combater a depressão, substituir remédios, melhorar a pressão sanguínea e muito mais (clique aqui para saber mais). Subir uma montanha, seja fazendo uma trilha ou escalando, é a uma das maiores provas disso e a forma perfeita para comprovar a grandiosidade da natureza e a pequenez dos seres humanos.

O Carlos Santalena é guia de alta montanha. Ele já escalou desde a Pedra do Baú, que fica praticamente no quintal de sua casa, em São Bento do Sapucaí – SP, até o Everest. Em todas essas experiências, sozinho ou guiando pessoas, ele pode comprovar essa força que a natureza tem sobre as pessoas. Esses momentos o levaram a uma reflexão super interessante, que ele compartilhou com a gente.

Confira o texto na íntegra:

“É de primordial importância para a vida do ser humano que antes de morrer faça uma grande aventura ou um mergulho no desconhecido. Esse é o tipo de experiência que lhe faz perder algumas máscaras sociais e entrar de cabeça no mundo da natureza e da essência do ser humano, encontrando o equilíbrio e tranquilidade para saber selecionar a quantidade de informações que domina o atual panorama social e saber estabelecer o autocontrole.

A Montanha é um templo onde costumamos praticar nosso agradecimento por toda nossa vida. É o lugar onde costumamos tomar consciência de nossa existência, de nosso tamanho perante a natureza e não um estádio onde costumamos competir e torcer desesperadamente, como na vida cotidiana de trabalho em nossas grandes cidades. O Homem se torna um ser completo quando aprende a utilizar-se conscientemente de seu corpo físico, mental e espiritual.

Quando subimos uma montanha em qualquer lugar mostramos a nós mesmos o quanto podemos ser fortes, o quanto podemos ter disciplina e, principalmente, o quanto podemos realizar coisas que a princípio pareciam impossíveis.

Observando este cenário, a escalada se torna uma acessível válvula de escape e uma excelente ferramenta de motivação, desapego, admiração e autocontrole. Com a possibilidade de explorar lugares muito próximos e dentro do nosso próprio país, podemos encontrar atividades e opções de riqueza natural incomparável e montanhas com possibilidades e qualidade rochosa comparada aos melhores points de escalada do mundo.

Certa vez, eu estava escalando na Pedra do Baú, no município de São Bento do Sapucaí, e ao chegar ao cume me deparei com alguns turistas que subiam pela via ferrata de acesso. Naquele momento, eu e meus amigos estávamos contemplando um pôr-do-sol alaranjado e certamente um dos mais belos que já pude apreciar. Parecia que o céu pegava fogo e, ao cair da noite, transformava o laranja em roxo, trazendo momentos de extrema conexão com a natureza. Neste exato momento estes 2 turistas olham para nós e dizem:

– Nossa que legal tudo isso e vocês costumam fazer escalada sempre?

– Sim sempre que posso estou em montanhas, vivendo estes belos momentos.

– Poxa vida muito legal este estilo de vida, mas pena que no Brasil não temos montanhas.

Olhamos para eles indignados, como sem entender como que poderiam dizer aquilo diante de um pôr-do-sol tão belo e ainda por cima no cume de uma montanha e no Brasil.

Arquivo pessoal | Carlos Santalena

Escalar a Pedra do Baú um monumento natural em São Bento do Sapucaí. Subir o Capim Amarelo na Serra Fina ou escalar o Mt.Everest, lhe trará o mesmo beneficio físico, mental e emocional. Mas, para absorver tudo isso devemos estar abertos para tal experiência, senão, continuaremos pensando que não subimos uma montanha, mesmo estando sentados em seu topo.

Deixo como dica que estejam sempre abertos mentalmente e preparados fisicamente para terem a possibilidade de explorar todas as experiências que a vida e a natureza possam lhe proporcionar. Muitas vezes nosso sonho está mais perto do que a gente imagina. Às vezes já estamos até vivendo ele, mas nem mesmo estamos tomando consciência.

Aquivo pessoal | Carlos Santalena

Estando abertos, estaremos vivendo o presente de forma tão intensa que nem mesmo o “cume” passará a ser sinônimo de sucesso e realização, uma vez que este não é um troféu para nosso ego e representa, geralmente, uma parcela mínima dentro de uma grande expedição ou dentro de uma grande viagem. Um exemplo disso é a expedição ao Aconcágua, em que passamos 19 dias entre trekking de aproximação e aclimatação, 9 horas subindo no dia de cume e apenas 30 minutos do ponto mais alto da montanha.

“Conheça, explore e busque o desconhecido e ele brindará sua vida de momentos únicos, e assim você saberá escutar suas próprias vontades e saberá selecionar os maiores entres os seus grandes sonhos.”

Arquivo Pessoal | Carlos Santalena

Matéria: Thaís Teisen – Jornalista, formada pela FIAM-FAAM, com especialização em Mídias Digitais pela Universidade Metodista de São Paulo.

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