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Montanha de 8.000 m em 5 dias, é possível?

Montanha de 8.000 m em 5 dias é possível?

Quando se escala uma montanha de 8.000m, que é considerada de altitude extrema, o principal, além do físico e emocional e que faz toda a diferença, é o fisiológico, traduzido em aclimatação. Essa, pode ser feita de diversas maneiras, mas precisa ser bem feita, para minimizar os efeitos da altitude em seu organismo durante a escalada.

A aclimatação pode ser dura de alguma maneira e muitas pessoas sentirão nos primeiros dias as consequências em seus organismos, até chegar a uma adaptação ideal de seu fisiológico para a subida definitiva ao topo da montanha a ser alcançada.

A grande maioria faz sua aclimatação na própria montanha com vários ciclos de sobe e desce, até que o corpo esteja adaptado e pronto para a subida definitiva.

Outra possibilidade é fazer essa aclimatação em outras montanhas, em outras cordilheiras e com isso chegar na montanha de 8.000 m já aclimatado e adaptado, como sou guia de montanha e por uma questão de calendário tive que optar pela aclimatação fora do Manaslu, montanha de 8.156 m que escalei.

Minha aclimatação ocorreu nessa sequência: Elbrus (5.642 m) na Rússia, Cotopaxi (5.897 m) no Equador e Sajama (6.560 m) na Bolívia. No meu planejamento, para a aclimatação final antes de seguir para o Nepal, eu deveria dormir 1 noite no cume do Sajama, mas devido ao clima ruim não foi possível, portanto, somente atingi o cume e desci.

Foram 10 dias entre a saída da Bolívia até a chegada ao Campo Base do Manaslu (4.460 m). Me juntei ao Carlos Santalena, Chico Amaral e Henrique Franke, grupo da Grade6 que já estava no Manaslu há algum tempo e com o processo de aclimatação concluído.

No dia seguinte a chegada no Campo Base, a expedição saiu rumo ao cume, com a intensão de eu subir sem o uso do O2 suplementar. Do Campo Base seguimos para o Campo 1 (5.000 m) onde pernoitamos, no dia seguinte Campo 2 (5.500 m) com pernoite, na sequência Campo 3 (6.800 m) e pelo planejamento o próximo seria o Campo 4 (7.400 m) antes de atacar o cume.

Arquivo: Grade6 Expedições – Campo 1

Quando chegamos ao Campo 3, vimos que a previsão para aquela madrugada estava ótima, para o ataque ao cume e na data prevista e nos dias sequentes não estaria tão boa. Isso complicou um pouco a minha aclimatação, pois pularia 1 dia de exposição a 7.000 m, algo muito importante nesse processo, porém apesar desse fato, decidimos sair dali mesmo dos 6.800 m para o cume. Sai sem O2, mas como ainda não tinha me provado em altitude tão extrema, tive que aos 7.550 m colocar O2, para continuar no ritmo de todos que estavam no grupo.

Arquivo: Grade6 Expedições | Cume Manaslu (8.156m)

Cheguei cansado ao topo, fiz uma ligação via telefone satelital ao meu pai no Brasil, informando que todos haviam chegado ao cume, depois de algumas fotos e vídeos, descemos ao Campo 3, onde pernoitamos, totalizando 15 horas de caminhada. No dia seguinte descemos até o Campo Base o que fechou para mim 5 dias de expedição em um 8.000 m.

Arquivo: Grade6 Expedições | Foto do grupo inteiro no cume

Sim, é possível! Desde que haja um bom planejamento.

 

 

José Eduardo Sartor Filho | Guia de Montanha

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