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Minha primeira alta montanha – Aretha Duarte

Minha primeira alta montanha – Aretha Duarte

 Comecei a trabalhar com a Grade6 em 2011, tive a oportunidade de escalar minha primeira alta montanha em janeiro 2012. Fui ao Campo Base do Aconcágua, Plaza de Mulas (4.300 metros) e foi um divisor de águas pra minha vida!

Como era a minha primeira vez eu não tinha os equipamentos, mas comprei alguns itens, ganhei outros e emprestei vários dos outros guias, por sorte sou alta e tenho pé grande, tudo me cabia. Confesso que sempre sinto medo do novo, mas essa experiência me dava um frio na barriga fora de série, como se eu estivesse a caminho de uma aventura que podia valer a minha vida. Eu morria de medo dos efeitos da altitude. 

Então, conversei bastante com os guias, entendi que muita coisa eu só aprenderia na prática e segui para a viagem, eu já tinha falado com todos os integrantes do grupo por telefone ou e-mail, mas não os conhecia pessoalmente, isso também me preocupava, afinal e se não houve harmonia no grupo por conta das diferentes personalidades?

Chegando em Mendoza, foi mágico, um lugar lindo, cidade planejada, grandes quarteirões, super turística e bem acostumada com brasileiros! E os brasileiros? Ah, estes me deixaram mais a vontade que nunca. Pessoas que viajam são felizes em sua maioria.  Tinha dado match e ali nascera amizades diversas e inesquecíveis. 

Após um noite em Mendoza seguimos à montanha, conhecemos a cenográfica Puente del Inca, tivemos um pernoite no refugio naquela rodovia que liga Argentina ao Chile e no dia seguinte adentramos o Parque Provincial Aconcággua.

No primeiro dia de caminhada cheguei um pouco cansada, parecia que faltava energia pra seguir com a caminhada, era estranho, tudo que eu fazia ali era diferente de quando estava na cidade, parece que o tempo rodava mais lentamente, não havia pressa. Eu comia bem, desfrutava dos preparos feitos por cozinheiros especializados em montanha e achava que tudo estava mais confortável do que eu imaginava.

No quarto dia fizemos uma caminhada até o campo base Plaza Francia, face sul, voltamos e mais descanso.

Aí chegou o dia mais duro do meu roteiro, o dia da caminhada larga até Plaza de Mulas. Foram 10 horas em meio ao clima arido, seco, desértico, espaço compartilhado com montanhistas do mundo inteiro e mulas cargueiras, conheci a famosa Playa Ancha e Costa Brava dentre outras referências do lugar.

No campo base celebramos muito e fui conhecendo outros grupos e percebendo a alegria dos argentinos em nos ter por lá, era pura celebração. Depois de duas noites era chegada a hora da despedida, deixei os clientes e guias que seguiriam em frente para chegar ao topo e retornei. Descemos todos o trecho em um dia, pegamos o micro-onibus e voltamos ao hotel em Mendoza. Tomei um super banho, troquei as botas por sandálias e saí pra jantar naquela cidade especializada em culinária, tudo super elaborado regado ao vinho! 

Gostei tanto da experiência que voltei outras quatro vezes a mais alta montanha das Américas, nestas fui ao topo a 6.962 metros. 

Tenho paixão por esse pico, recomendo às todas as pessoas com ou sem experiência!